Uns são mais iguais que outros
Os períodos de pré-campanha (e da própria campanha eleitoral) têm-se transformado, talvez nas últimas décadas, num período em que os candidatos se desdobram em promessas, auto-elogios ou desculpas, tantas vezes preterindo de transparência ou honestidade para com os eleitores.
É neste pequeno e breve hiato de tempo que os candidatos dão tudo para convencer o eleitorado de que só eles conseguirão responder às carências e necessidades de uma população, e que se assim não for, tudo cairá no mais profundo abismo, entregues que estaremos a um extremismo desmesurado da outra parte, seja ela qual for.
É esta a postura que os candidatos a formar Governo nas próximas eleições de 10 de março têm assumido nos debates televisivos, pelo menos na sua maioria, procurando demonstrar a sua alegada capacidade para tirar Portugal do negro período que atravessa: um país com serviços públicos completamente degradados, com um Serviço Nacional de Saúde nas ruas da amargura, refletindo-se na "normalidade" com que já se vê uma urgência encerrada ou utentes a morrer à espera de serem atendidos; um país em que o acesso à habitação se tornou completamente incomportável; um país onde há alunos sem professores; onde há esquadras sem polícias; onde há centros de saúde sem médicos; onde há desrespeito pelas forças de segurança e corporações de bombeiros… À primeira vista, parece que estamos a falar de uma qualquer Venezuela. Até mesmo quando, perante tudo isto, assistimos à negação daqueles que hoje perguntam "mas o que é que não funciona?!", confirmando a manifesta incapacidade que revelaram enquanto alegados gestores da coisa pública e deixando às claras que vivem completamente desfasados da realidade ou até mesmo num país diferente do comum cidadão. Tal como naquele país sul-americano! Está à vista de todos, menos daqueles que olham apenas para o seu próprio umbigo.
Neste particular, é preciso que percebamos que, entre os candidatos (e suas equipas) há aqueles que já conhecemos, que governaram o País durante 8 anos (!), passeando-se arrogantemente e a seu bel-prazer nos corredores do poder, e que levaram Portugal ao estado atual, quase de sítio. São a esquerda, cujas políticas desastrosas e comprovadamente fracassadas, aliadas a um estilo "quero, posso e mando", afundaram Portugal, como, aliás, já haviam feito no passado, por mais do que uma vez! Há a esquerda para quem, 8 anos após uma governação falhada, a culpa de um país em colapso continua a não ser de José Sócrates, Manuel Pinho, Armando Vara, António Costa, Pedro Nuno Santos…! E do outro lado, há a Aliança Democrática. Há ideias, há quadros, há competência, há capacidade. Há, sobretudo, uma convicção de que Portugal não tem de ser o que atualmente é!; há a certeza de que Portugal pode e deve ser muito melhor! Há um programa robusto e determinado, com soluções.
E por isso os portugueses terão de decidir se querem a Primeiro-Ministro alguém que governou (e até foi demitido do governo pelos seus pares, que o consideraram incompetente para o aquele exercício de funções!) Portugal durante oito anos e mais não soube fazer, ou se querem uma viragem e uma lufada de ar fresco com a Aliança Democrática; terão de decidir entre uma cegueira ideológica irrepreensível e extremista de uma esquerda que pretere a qualidade de vida dos seus concidadãos em prol de uma filosofia política que teimam em impor aos cidadãos, ao estilo inconfundível da União Soviética, ou a reconhecida capacidade de quadros de inegável valor para a sociedade e que trarão soluções aos problemas que hoje assolam os Portugueses; terão de decidir entre mais do mesmo ou competência. Até nos círculos distritais, nomeadamente em Braga, onde os candidatos do nosso concelho são tão bem conhecidos!
O Partido Socialista atinge o término de uma governação de oito anos dizendo que é preciso "recuperar Portugal", "Portugal inteiro" e que não querem "um país a arrastar os pés". Este é o maior reconhecimento (em causa própria!) de incapacidade e incompetência. Enalteça-se o esforço do Partido Socialista em VN Famalicão em procurar alterar estes slogans, usando já um apelativo "Mais Ação Por Famalicão", num brilhante e arrojado exercício de originalidade e esperança! Até nisto…
E ao fim destes oito anos em que o poder de decisão foi usado sem limites e ao som de um "habituem-se!", com os resultados que se conhecem, o Partido Socialista promete creches gratuitas, universidades gratuitas, óculos gratuitos… Os políticos, de facto, como os animais de Orwell, são todos iguais; mas uns são mais iguais que outros!
Nestes tempos, a escolha é entre quem quer dar condições e dignidade ao SNS, mas não o conseguiu fazer durante 8 anos, e quem efetivamente o fará; é entre quem sabe que é necessário criar habitação acessível, mas não o conseguiu fazer durante 8 anos, e quem efetivamente o fará; é entre quem sabe que é preciso criar condições para os Professores, Polícias/Guardas e Bombeiros, mas não o conseguiu fazer durante 8 anos, e quem efetivamente o fará; é entre a comprovada incapacidade e a reconhecida competência; é entre o Partido Socialista e a Aliança Democrática.
Manuel João Fernandes de Nascimento
Deputado na Assembleia Municipal de VN Famalicão pelo CDS-PP
12 de fevereiro de 2024.
Comentários
Enviar um comentário