A Ucrânia e o PCP
Volodymyr Zelenskyy, provavelmente o maior líder e estadista desde há muitos anos na Europa, tem sido o baluarte da resistência ucraniana. O líder ucraniano tem procurado, à semelhança do que Churchill fez noutros tempos, contextos e locais, transformar esta “darkest hour” do povo ucraniano, que sofre com uma bárbara invasão russa, numa motivação extra pelo ascender de um acentuado sentido de patriotismo; numa “finest hour”, um tempo em que, postas à prova, a capacidade e união do povo ucraniano não deixam margem para dúvida: resistirão até ao último esforço. E independentemente do desfecho desta guerra, ninguém duvidará da sua capacidade de liderança, estoica, ou da sua determinação em defender os seus mais do que a si próprio. Algo raro nos dias que correm!
A História reza-nos que as guerras têm tido, entre outros, o efeito de proporcionar momentos e oportunidades únicas, tantas vezes de uma vida, aos responsáveis pelos destinos dos povos, por forma a que estes se revelem. É nessas alturas em que estes se manifestam mais ou menos capazes de conduzir os destinos dos seus; de os motivar; de os acompanhar e não abandonar. No fundo, de cumprir os seus desígnios. E nestas alturas, todos se revelam: os mais e os menos capazes. E a guerra na Ucrânia tem-nos feito perceber quem é quem, se é que dúvidas ainda restavam! O principal impulsionador de uma coragem e resistência que ninguém acreditava ver no povo ucraniano tem sido, assim e pelo seu exemplo, orador à distância em várias instituições e organizações, espalhando o seu testemunho e o do seu povo, fazendo pedidos desesperados de ajuda e, sobretudo, consciencializando-nos do verdadeiro valor e âmbito destas.
Desta forma, mediante convite e com oposição do Partido Comunista Português, será orador na Assembleia da República Portuguesa no próximo dia 21 de abril. Orgulha-me a posição do Parlamento da minha nação, independentemente da estratégia internacional de ajuda à Ucrânia, ao querer dizer “presente!” ao Presidente Zelenskyy e ao seu povo; envergonha-me a coerência do Partido Comunista Português, que rejeita esta sessão e, de forma natural e esperada, se coloca ao lado de um ditador repressivo, cruel e de desmesurada ambição, como Putin. Curiosa e paradoxalmente, para bem de Portugal, o partido dos bolcheviques torna-se, pela congruência das suas acções, mais uma vez, a minoria, e cada vez com maior clareza se percebe a sua irrelevância, seja qual for o seu modus operandi. A História não deixa margem para erros: o comunismo é o partido da repressão, do desrespeito pelos direitos humanos, da crueldade e da injustiça. E é-o, sempre, coerente e conscientemente! Lembramo-nos bem, porque é recente e recorrente, das tentativas de ilegalizar um partido político em Portugal. Espantosamente, não é do PCP que falamos. O PCP que votou contra uma resolução no Parlamento Europeu de condenação da invasão russa; o PCP que votou contra ouvir Zelenskyy na Assembleia da República; o PCP que votou contra uma moção na Assembleia Municipal de Lisboa que pedia a libertação imediata do autarca de Melitopol, raptado pelas forças russas; o PCP que está do lado da Rússia; o PCP de sempre!
Termino como comecei: nestas alturas, todos se revelam: os mais e os menos capazes. E a guerra na Ucrânia tem-nos feito perceber quem é quem, se é que dúvidas ainda restavam!
MJFN
18 de abril de 2022
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