A Alegoria da Caverna
Um dia, diversas pessoas foram acorrentadas a uma parede dentro de uma caverna, sem que se pudessem ver uns aos outros ou a si próprios. Atrás dessa parede havia um ponto de luz, onde outras pessoas circulavam com objetos que criavam sombras projetadas na parede em frente aos prisioneiros. Além disso, nada mais conseguiam ouvir além dos sons que ecoavam pela caverna, associando-os àquelas sombras. Era assim o mundo daqueles prisioneiros: as sombras e os sons eram tudo o que eles conseguiam ver e ouvir; eram o seu mundo, a sua verdade.
A certa altura, um dos prisioneiros consegue soltar-se, movendo-se em direção à saída da caverna, onde havia um ponto de luz. Com a visão ainda turva pela incidência de luz a que não estava habituado, começa a perceber que as sombras criadas na parede que os prisioneiros vislumbravam eram produzidas por objetos movidos em frente à fonte de luz. Objetos bem mais detalhados do que as sombras, que pareciam agora apenas uma pobre representação dos mesmos. Gradualmente, entende o pormenor e detalhe em tudo aquilo que o rodeia; vê a luz solar e o seu reflexo em todas as coisas. Assume, assim, uma nova noção de realidade: sem filtros, sem limitações.
Percebendo que os seus companheiros em cativeiro vivem enganados e reféns da sua ignorância, decide voltar à caverna para revelar a situação de ludíbrio em que se encontram e para os libertar das amarras da manipulação a que estavam sujeitos. No entanto, assim que o faz, é recebido como se fosse um louco! Os seus companheiros nada conheciam além daquela que tinham como a sua e derradeira realidade: as sombras dos objetos e os sons que ecoavam na caverna. E assim, considerando que pelo facto de ter saído da caverna, aquele homem teria sofrido graves danos, entenderam que jamais deveriam dali sair e que matariam quem os tentasse tirar.
Esta alegoria, escrita por Platão e vertida no seu livro A República, no séc. IV a.C., é, arriscar-me-ia a dizer, cada vez mais atual.
O prisioneiro que se soltou das amarras e procurou o conhecimento e a luz, com causa e de forma empírica, foi renegado quando, de modo altruísta, quis partilhar o saber com os companheiros, com aqueles que nada viam (Sócrates havia procurado dissertar também sobre o assunto, de alguma forma, distinguindo entre a douta e a crassa ignorância).
Transpondo a alegoria para Portugal, facilmente se percebe que também ao Governo do Partido Socialista interessa que assim seja: que nos mantenhamos acorrentados na caverna, conhecendo apenas a realidade que nos consentem conhecer. Entre Fernando Medina a dizer que “portugueses pagariam mais 27 cêntimos por litro de combustíveis, se não fossem as medidas fiscais”, (note-se, a maior carga fiscal da História de Portugal, imposta pelo Partido Socialista), Marta Temido a acabar com a gratuitidade dos testes à Covid-19 ou António Costa a impor às autarquias uma série de competências que não acompanha com receita para que possa ser dada uma resposta adequada às populações… os exemplos são tantos! E o país vai-se desintegrando, sob a bandeira de uma propaganda orwelliana de 1984: “Enquanto não se tornarem conscientes, nunca se vão revoltar; e enquanto não se revoltarem, nunca se tornarão conscientes.”
Numa sociedade informativa (diferente de informada!), em que as redes sociais se assumem como um eficaz meio de propagação e propaganda de informação e, sobretudo, de desinformação sem consequências, sejamos como o prisioneiro que procurou a verdade. Loucos são os outros!
Manuel João Fernandes de Nascimento
Deputado Municipal pelo CDS-PP,
Vila Nova de Famalicão, 16 de maio de 2022.
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