A Saúde socialista

 A Saúde socialista.

Todos conhecemos sobejamente as dificuldades com que, em condições normais, se deparam as entidades públicas de Saúde, mormente Centros de Saúde e Hospitais, e o atendimento que proporcionam aos seus utentes. Longas filas de espera, meses para conseguir uma consulta, exame ou intervenção, equipamentos obsoletos, urgências à pinha com sistemas de triagem que prolongam a estadia dos utentes em salas de espera… Enfim, tudo quanto é público e notório! E tudo quanto temos também em Famalicão, como se revela suficiente atentar no exemplo do Centro de Saúde de Fradelos, em situação de precariedade desde 2016, que o Governo assumiu como “solução de recurso”. Um recurso definitivo, que tem suscitado reação de uns e falta de reação de outros, mesmo que da terra… Questões de “partidarite aguda”, certamente!

Além de tudo isto, a pandemia Covid-19 veio exigir uma célere e imediata resposta às carências de saúde das populações. Daí resultou, naturalmente, um claro agravamento do estado destas entidades, que se viram, além daquela “normalidade”, sobrecarregadas com a necessidade de intervir no sentido de parar ou minimizar a pandemia.

Assim tem sido nos últimos dois anos, em que os problemas relacionados com a prestação de cuidados de saúde pelas entidades do Estado se revelam manifestamente insuficientes ou incapazes.

E, assim, com todos estes dados em cima da mesa, o que entendeu fazer o Governo socialista? Terminar com a gratuitidade dos testes profissionais à Covid-19 feitos nas Farmácias e, em simultâneo, acabar com as taxas moderadoras no Serviço Nacional de Saúde. Ou seja, convidar a que os utentes que possam apresentar sintomas à Covid-19 se desloquem às urgências sobrecarregadas dos Hospitais, para se testarem. E enquanto esperam… contagiam…

Entretanto, percebendo a sua precipitação, o Governo, que acabara também com a obrigatoriedade do uso de máscara, recuou, publicando uma portaria onde indica o regresso de testes comparticipados nas Farmácias, “prescritos no Serviço Nacional de Saúde”. Ou seja, o utente deve, primeiro, deslocar-se ao médico de família, num Centro de Saúde, onde aguarda horas na sala de espera, contagiando todos quantos por lá passem, para depois sim, poder fazer um teste à Covid-19 comparticipado numa Farmácia.

Tudo isto num ano em que, segundo a Ministra da Saúde, o orçamento do Estado para 2022 traz um aumento 6,7% acima daquele previsto para o Produto Interno Bruto.

Os Portugueses continuam a pagar… só não sabem é para quê!

Continuamos a andar ao sabor do vento e à deriva… Ahhh, se pelo menos Famalicão tivesse um profissional de saúde a representar o concelho na Assembleia da República, que pudesse trazer alguma luz aos membros do Governo…!

Manuel João Fernandes de Nascimento

Deputado Municipal pelo CDS-PP,

 Vila Nova de Famalicão, 30 de maio de 2022.


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