Mais do mesmo e pelos mesmos...
A GUERRA E O ACOLHIMENTO
Imagine o leitor, se possível for, porque me parece que tal barbaridade só pode ser conhecida se vivida, que o país onde cresceu e sempre viveu… é invadido barbaramente por um vizinho, que massacra, chacina, mata, viola ou tortura todos quantos se lhe opõem. É, por si só, assombroso de imaginar. Mas está a acontecer e não muito longe daqui. Além disso, imagine ainda o leitor qual seria a sua reação imediata? Fugir! Deixar tudo exceto a família (e tantas vezes até a família!) e fugir… para bem longe! Para um local onde, deixado tudo para trás, tivesse ainda algo: o conforto de viver (com os seus?) num local civilizado, onde pudesse começar de novo. Para o leitor, será imaginação; para milhões de ucranianos que hoje fogem de uma invasão bruta e impiedosa, é a realidade. Por fim, imagine o leitor que chegado ao destino para onde fugiu, as entidades responsáveis pela sua integração no país que o acolhe, o fazem ser atendido por pessoas com ligações ao regime do país que, inicialmente, invadiu o seu, de onde e de quem o leitor foge. As entidades que, supostamente, lhe permitiriam as condições para começar de novo a sua vida, fugidos de um conflito que os fez perder tudo o que tinham, de forma tão impiedosa quanto aqueles que, no terreno, disparam as armas, metem o leitor e sua família na toca do lobo. Cruel, certo? Inimaginável, arrisco. Uma vez mais, para o leitor, será um complexo exercício de imaginação; para os ucranianos que fogem do seu país perante a invasão russa, é uma realidade: desesperados por escapar a uma guerra, são recebidos por uma Linha de Apoio aos Refugiados coordenada por organizações e elementos pró-russos, que os interrogam e fotocopiam documentos de identificação pessoal. Onde acontece? Em Portugal, claro. Na autarquia de Setúbal, curiosamente – ou não! – gerida pelo Partido Comunista Português. Tamanha insensibilidade, crueldade ou irresponsabilidade, por parte daqueles que têm o dever de acolher todos quantos, perdendo tudo, noutros depositam a sua única esperança de voltar a viver, é absolutamente reprovável. Uma vez mais, depois de Medina (entretanto promovido), em matéria de política e relações internacionais, Portugal é notícia mundial pelos piores motivos. Deve-o, sempiternamente, aos mesmos.
ASSEMBLEIA MUNICIPAL
A Assembleia Municipal de Vila Nova de Famalicão aprovou por unanimidade, associando-se, uma proposta apresentada pela Delegação da Ordem dos Advogados no sentido de devolver ao Tribunal de VN Famalicão as instâncias Central Cível, Central Criminal e Juízo de Instrução Criminal. Numa posição de solidariedade e de sentido de justiça, o Órgão manifestou a vontade de ver regressados àquele Tribunal, instâncias que perdeu na sequência da ingerência governamental de José Sócrates e do Partido Socialista e que, em sede de Programa de Estabilidade e Crescimento, primeiro, e de Memorando de Entendimento no Programa de Assistência Económica e Financeira (Troika), depois, levaram à reorganização do mapa judiciário. Mais vale tarde do que nunca, e estamos certos de que, em uníssono, voltaremos a trazer as instâncias para Vila Nova de Famalicão.
ASSEMBLEIAS DE FREGUESIA
Uma nota final para aquilo que tem sido a descoordenação no Partido Socialista em VN Famalicão: estrutura concelhia, grupo de vereadores e deputados na Câmara e na Assembleia Municipal e eleitos nas Assembleias de Freguesia. Se, por um lado, na Assembleia Municipal, os deputados socialistas exigem à Câmara Municipal a aceitação das competências que o Governo Central pretende, de forma desmesurada, obscura e imponderada, imputar às autarquias (aliás, nenhum município no país as havia aceitado!), por outro lado, nas Assembleias de Freguesia (Nine é exemplo!), instruídos pela sua Comissão Política Concelhia, os membros eleitos pelo PS abstêm-se na aprovação da aceitação das competências delegadas, estas de forma clara e transparente, nas freguesias. Uma abstenção que comprometeria o desenvolvimento das freguesias, não fosse o facto de os votos socialistas não serem suficientes para impedir a aprovação destas medidas.
Que já todos conhecemos esta postura de “dois pesos e duas medidas” do Partido Socialista, consoante a cor política, é inegável; o que se começa a perceber é que talvez haja mais do que um galo na capoeira. Atentos, contemplaremos até quando.
Manuel João Fernandes de Nascimento
Deputado Municipal pelo CDS-PP,
Vila Nova de Famalicão, 02 de maio de 2022
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