A pseudo-homenagem

A pseudo-homenagem

“Força, força companheiro Vasco, nós seremos a muralha de aço… o povo acelera e faz do dia a dia oc aminho da revolução… não desarma e diz estamos fartos, não queremos os capitalistas… não alinha mais com a preguiça dos senhores agrários…”, cantavam eles ao tempo, ao jeito de Terceira Internacional, ema poio a Vasco Gonçalves.

Vivia-se o Período Revolucionário em Curso (PREC) e Vasco Gonçalves, então Primeiro-Ministro nomeado, no mais puro exercício de aplicação de modelo soviético e antidemocrático, assolava um país, representando a atitude revolucionária que queria prevalecer sobre a legitimidade democrática.

Apoiando-se em Otelo Saraiva de Carvalho, na COPCON e na vanguarda do Partido Comunista e da esquerda extrema, política e militar, nacionalizaram bancos, seguradoras e empresas, saneando administradores e fazendo com que Portugal se deparasse com uma quebra histórica do PIB; deram início à reforma agrária, que mais não foi do que a ocupação e roubo de terras aos seus legítimos proprietários; ocuparam a Rádio Renascença e o jornal República, nomeando uma comissão administrativa até à nacionalização das estações emissoras; cogitaram a afamada matança da Páscoa, crentes de que poderiam fazer desaparecer personalidades contrárias à vontade de Moscovo, de quem sempre foram correligionários… E ouça-se (ou leia-se) o afamado Comício de Almada – como se necessário fosse! – e facilmente se percebem quais seriam os seus intentos. Um expoente de vassalagem leninista que os Portugueses jamais esquecerão.

Foi, então, a coragem de um povo unido e que se revia na corajosa liderança de um grupo restrito de homens e mulheres de todos os quadrantes e ideologias políticas, que fez frente a Vasco Gonçalves e à ditadura comunista/leninista/soviética que, juntamente com os seus camaradas, este pretendia implementar em Portugal (tenha-se como exemplo o Documento dos Nove). Foi o povo que disse, viva-voz, querer viver numa democracia representativa, e foi em 25 de Novembro que tal foi consagrado.

O objetivo da extrema-esquerda e de Vasco Gonçalves nunca tinha sido a obtenção da liberdade, mas a substituição de um regime autoritário por outro. E naquele processo pós-revolução, o clima de terror instaurado pela extrema-esquerda fiduciária, a comando do Partido Comunista, levou a que, mais uma vez em tão pouco tempo, os Portugueses tivessem que lutar por algo que era seu por Direito: a sua liberdade, as suas vidas. E por muito quente que fosse aquele Verão, a determinação dos portugueses seria SEMPRE maior! Como foi! E assim, finalmente, em Novembro de 1975, cumpriu-se Abril!

E não tivesse sido esta concretização em Novembro de 1975, travando Vasco Gonçalves (entretanto deposto) e a sua camaradagem, e certamente hoje não conheceríamos ainda a liberdade. Eventualmente, tão pouco estaríamos aqui!

Vasco Gonçalves significa, por tudo isto e por tanto mais, tudo aquilo que o CDS sempre combateu. O CDS é o 25 de Novembro, é a democracia, é o direito à propriedade privada, é o direito a uma imprensa livre e a liberdade de expressão. E é inconcebível que uma democracia queira celebrar aqueles que a tentaram ceifar. Vasco Gonçalves foi um desses!

Num país com tanta gente boa para homenagear, é arrepiante pensar sequer em homenagear Vasco Gonçalves. Creio, ainda assim, que será agora o povo a muralha de aço que impedirá o regresso da sua memória e dos seus tempos a Portugal e aos Portugueses.

Manuel João Fernandes de Nascimento

Deputado Municipal pelo CDS-PP,

Vila Nova de Famalicão, 1 de agosto de 2022.



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