O melhor mesmo é não contar com eles. Nunca!

 

Tornou-se pública, há dias, a notícia de que estaria fechado e pronto a entregar ao Ministro da Saúde o dossier elaborado pela Comissão para a Reforma das Maternidades, que prevê a reorganização da rede de urgências de obstetrícia e blocos de partos. Eventualmente, constará daquele documento o encerramento da maternidade do Centro Hospitalar do Médio Ave, em VN Famalicão. Não fosse um caso tão sério, poderíamos pensar tratar-se de uma piada de mau gosto.

A maternidade do Centro Hospitalar do Médio Ave é meritoriamente reconhecida. O seu desempenho, mesmo numa altura em que o SNS transborda incompetências de gestão à vista de todos, tem sido extraordinariamente diligente, eficaz e competente. A mais, serve assim o concelho de VN Famalicão e, da mesma forma, os concelhos limítrofes da Trofa e Santo Tirso. O problema, porém, é que o Governo do Partido Socialista não reconhece méritos. Ao invés, bem sabendo dos problemas, desconhece como os resolver e anda de trapalhada em trapalhada até ao descalabro final. Esta, a confirmar-se, para infortúnio dos Portugueses e, em especial, dos Famalicenses, será mais uma. Não será de esquecer que em 2020 entrou em funcionamento a Clínica da Mulher e da Criança, concentrando cuidados de saúde nas áreas da pediatria, ginecologia e obstetrícia. A confirmar-se o encerramento da maternidade após a criação de todas estas condições, apenas provará que este Governo (com maioria!) está mesmo à deriva, deixando os Portugueses “sem rei nem roque”!

A incredulidade que os Famalicenses apresentarão face a esta notícia traz à tona alguns paradoxos. Curiosamente, fez ontem um ano que, em plena campanha eleitoral, António Costa se deslocou a VN Famalicão, para apoiar o candidato do PS, Eduardo Oliveira. Naquela altura, este último apresentou como bandeira eleitoral a construção de um novo hospital em VN Famalicão. Mais, ouvimo-lo dizer, referindo-se a António Costa: “o que é certo, é que a palavra dele é palavra honrada!”. A tal “palavra dada, palavra honrada”, que bem conhecemos…

Naquela mesma intervenção em plena campanha eleitoral, Eduardo Oliveira disse a alta voz: “Não contem connosco para fazer política de eleitoralismo, de caça ao voto, de quatro em quatro anos”. Hoje, apenas um ano volvido, o Governo do Partido Socialista não só não refere qualquer novo hospital, mas equaciona o fecho da maternidade do Centro Hospitalar do Médio Ave. Só se deixa surpreender quem quer! O melhor mesmo é não contar com eles. Nunca!

Desde aí, já tivemos oportunidade de ouvir também Eduardo Oliveira intervir sobre o SNS, em termos, no mínimo, curiosos. E citamos: “Felizmente, Portugal tem um serviço público de saúde que continua a ser um exemplo para o mundo. E tem uma Ministra da Saúde e um Governo com medidas concretas para o defender”. Ora, parece que toda a gente conhece o estado do Serviço Nacional de Saúde, com exceção daqueles que por ele são, atualmente, responsáveis. Depois destas declarações, já fecharam serviços de urgência (e muitos!), já morreram pessoas nas urgências por falta de condições e vagas, já morreu uma grávida por falta de vaga durante o transporte para outro hospital, já se demitiu a Ministra da Saúde, António Costa já reconheceu “problemas de gestão no SNS” e outras coisas que não se sabem (ou ainda não se sabem)… Mas, por eles, “o serviço público de saúde continua a ser um exemplo para o mundo”. Uma no cravo, outra na ferradura.

Há coisas que ainda me surpreendem, mesmo vindo do Partido Socialista! O que é demais, é erro. Exige-se um esclarecimento célere e cabal sobre as intenções do Governo neste particular. Os Famalicenses merecem-no!

 

Isabel II

Não posso deixar de fazer referência ao falecimento de Isabel II de Inglaterra. Uma monarca de longevidade e que marcou uma época. A sua determinação e dedicação tornou-a uma fonte de admiração não só do seu povo, mas até do resto do mundo. Assisto às cerimónias fúnebres enquanto escrevo, certo de que estamos perante um gigantesco evento nas páginas da História Mundial. Vivemos História. Apreciemo-lo.

 

Manuel João Fernandes de Nascimento

Deputado Municipal pelo CDS-PP,

 

Vila Nova de Famalicão, 19 de setembro de 2022.

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