António Costa e o Rei Midas
A História de Portugal apresenta-nos um rol de personagens sui generis. Únicas que são no seu género, destacaram-se (ou ainda destacam) estas figuras (e alguns figurões!) por diversos e variadíssimos motivos: o conquistador Afonso Henriques desbravou caminho na génese do reino; Bartolomeu Dias e Vasco da Gama navegaram mundo fora pelo império; Luís de Camões, pelo punho, revelou-se um mestre literário e histórico; Marquês de Pombal teve um papel marcante na reorganização e reestruturação administrativa e arquitetónica de Portugal; Aristídes Sousa Mendes foi o corajoso diplomata com um papel importantíssimo nas relações humanas em tempo de grande guerra; Sá Carneiro, Amaro da Costa e Mário Soares foram políticos marcantes na História contemporânea do nosso país; Armando Vara, Manuel Pinho e José Sócrates, também políticos, acabaram presos na sequência de atos praticados enquanto ministros de Portugal;… entre tantos outros… e depois, temos António Costa.
O ainda Primeiro-Ministro de Portugal já não tem como esconder a sua atuação deste rol de personagens sui generis da nossa História, até porque, semana a semana, lá consegue estar envolvido em algo que o traz, reiteradamente, para as luzes da ribalta! Ou são golas, ou incêndios, ou aeroportos, ou familiares, ou amigos, ou fundos comunitários, ou suspeitas de corrupção, ou mentiras, ou armas em paióis, ou serviço nacional de saúde, ou tanto, tanto mais, porque há sempre algo novo todas as semanas!
Desta feita, foi Carlos Costa, antigo Governador do Banco de Portugal, a envolver António Costa em nova polémica. Alegadamente, o Primeiro-Ministro terá pressionado o Governador por forma a exercer influência para que protegesse Isabel dos Santos, filha de José Eduardo dos Santos, decesso ex-Chefe de Estado angolano. Ter-se-á passado em 2016 e causa-me estranheza que a situação não tenha sido denunciada na altura, sendo provável que as coisas tivessem tomado outro rumo (talvez para ambos). Ainda assim, é mais uma proeza do Primeiro-Ministro, primus inter pares, no que concerne a este tipo de situações.
Segundo Carlos Costa, “o telefonema do Primeiro-Ministro [sobre Isabel dos Santos] foi muito curto, irritado e agreste, não admitindo que se tratasse mal a filha de um País amigo de Portugal (Angola)”.
António Costa ficou sentido e já anunciou que vai processar Carlos Costa por “ofensa à honra e bom nome”. Se a “honra e bom nome” do Primeiro-Ministro tiver como referência os casos que ele já vivenciou, criou e/ou permitiu no seu Governo, então Carlos Costa não tem muito com que se preocupar.
Além da clara e indecente interferência política que António Costa pretendeu exercer sobre o Governador do Banco de Portugal, modus operandi que já não surpreende, o Primeiro-Ministro pretendeu proteger, com um tratamento exclusivo, alguém que hoje é procurada pela Interpol e alvo de um mandado de captura internacional por suspeita de desvio de fundos e branqueamento de capital quando exerceu o cargo de CEO da petrolífera angolana Sonangol.
E surpreende? António Costa também protegeu Sócrates (antes de se terem zangado as comadres) e Lula da Silva. Curiosamente – ou não! – dois já estiveram detidos e outra está a caminho. Diz-me com quem andas, dir-te-ei quem és!
No fundo, facilmente se notam semelhanças entre o mítico Rei Midas e o ilusionista António Costa: tudo em que ambos tocam se transforma; ainda que, no caso do primeiro, seja em ouro, e do segundo, em suspeitas ou putativas ilegalidades.
Em 1908, Portugal assistiu incredulamente a um Regicídio, cometido por Alfredo Costa (e Manuel Buíça); em 1918, Sidónio Pais foi assassinado por José Júlio da Costa na Estação do Rossio; em 1922, aventou-se a hipótese de Afonso Costa ser convidado por Teixeira Gomes para formar Governo. E então, começou a circular uma quadra, entre os populares, que rezava assim:
“Um Costa matou o Rei
Outro Costa o Presidente
Agora vem outro Costa
Para acabar com a gente!”
Quão atual!
Manuel João Fernandes de Nascimento
Deputado Municipal pelo CDS-PP,
Vila Nova de Famalicão, 21 de novembro de 2022.
Comentários
Enviar um comentário