Os Velhos do Restelo


A Câmara Municipal aprovou as Grandes Opções do Plano e Orçamento Municipal para o ano de 2023, com a abstenção do Partido Socialista. O documento, que dota o Município de um orçamento de 139 milhões de euros para fazer frente ao ano de 2023, conta com intervenções avultadas na área social, educação, meio ambiente, desporto, cultura, rede de transportes ou na redução do impacto fiscal sobre as famílias. A Câmara Municipal fica assim munida de um orçamento que responde às necessidades dos Famalicenses, que prevê a incerteza dos tempos que globalmente atravessamos e que, em contexto de economia de guerra, atenta às preocupações dos agregados familiares, aliviando o esforço a que estes têm estado sujeitos. A mais, será um orçamento a ter em conta os elevados índices de inflação que, é importante que se o diga, para que não esqueçamos, já estava em níveis elevados antes da invasão russa na Ucrânia.

Tudo quanto, alegadamente, é insuficiente para os eleitos do Partido Socialista, que, com a argumentação habitual e tipicamente vã e desprovida de alternativas (o que não é, tão pouco, uma novidade no Partido Socialista), não consegue ver neste orçamento (pasmemo-nos) aquilo que Vila Nova de Famalicão precisa.

Atentemos num exemplo, entre muitos: Depois de, em 2017, a Câmara Municipal ter assumido o cumprimento dos objetivos de desenvolvimento sustentável propostos pelas Nações Unidas (e o ter feito com índices superior à média nacional!), a autarquia cria uma equipa de trabalho para acompanhamento da política climática e de impacto em matéria de descarbonização e alterações climáticas, com coordenação do Vereador do Ambiente, Dr. Hélder Pereira. A Equipa Municipal de Adaptação às Alterações Climáticas é um sinal do progresso, cuidado e preocupação que a Câmara Municipal (e o CDS!) demonstra para com o meio ambiente, dedicando especial atenção e verba para o efeito. Ainda assim, perante esta motivação, o Partido Socialista, cujas iniciativas em prol de políticas dedicadas às alterações climáticas e à sua prevenção são desconhecidas, porque são inexistentes!, acha que “Famalicão não está preparado para as alterações climáticas”. O mesmo comportamento tem o PS para com tantas outras rúbricas e políticas direcionadas da autarquia. Mais do mesmo; muito mais do mesmo.

Para o PS de Vila Nova de Famalicão, este é um orçamento que não serve. Como assim o foram, para o PS, todos os outros que, ao longo dos últimos vinte anos, têm elevado o Município no panorama nacional e internacional; como assim o foram, para o PS, todos os outros que, ao longo dos últimos vinte anos, têm trazido um desenvolvimento exponencial às freguesias do concelho; como assim o foram, para o PS, todos os outros que, ano após ano, têm provado que o que o PS está… é enganado! Os Famalicenses já o perceberam há muito (e dizem-no a alta e viva voz, para os que querem ouvir!), alguns socialistas também já o perceberam (porque contra factos não há argumentos), mas há sempre quem teime em não perceber. E tão curioso como estas posições do PS de VN Famalicão, é o facto de, após todas as críticas, o seu sentido de voto… é a abstenção! Porque no fundo, o Partido Socialista não vê neste orçamento um documento insuficiente; vê sim um documento que não é seu, nem seu de executar.

Escrevia Luís de Camões “Os Lusíadas”, fazendo uso, na sua obra, da personagem do “velho d’aspeito venerando”, que perante a partida de Vasco da Gama aos mares, se sentava na praia e abanava a cabeça, exasperado, invocando o pessimismo e a desgraça como desígnio dos aventureiros navegadores. Era o Velho do Restelo!

Camões partiu, como Vasco da Gama, mas os Velhos do Restelo andam por aí! E bem perto!



Manuel João Fernandes de Nascimento

Deputado Municipal pelo CDS-PP,

Vila Nova de Famalicão, 05 de dezembro de 2022.


Comentários

Mensagens populares deste blogue

A quem sente Famalicão: 39 anos de cidade!

Não basta parecer sério; é preciso sê-lo!

Uns são mais iguais que outros