Escritos e Aclamações

 1. Vozes – ou escritos – há, por aí, de quem muito se acha, diz ou pensa. Usualmente, daqueles que, com demasiado tempo livre, se ocupam estultamente a dar lições de moral, por serem mais ou menos idosos ou por um putativo percurso profissional enquanto no ativo, como se alguém disso quisesse saber! Questão importante é saber quanto de si deram à causa pública sem proveito próprio, e sobretudo, se o fizeram, em que é que isso foi útil? Para esses, são válidas unicamente as opiniões de quem como eles pensa e escreve. E quando assim não é, então “é preciso gente nova a escrever.” E, com o respeito que for devido, isto traz-me à memória a fábula de um velho sábio, já de idade avançada, que achando que tudo sabia, passeava pelas margens de um rio. Vendo um pescador, decidiu fazer troça dele: “Oh pescador, sabes o que é uma linha curva? E uma linha reta? O que é um triângulo? Que forma tem a Terra?”. Quando o pescador disse não saber as respostas, o sábio riu-se! De tanto se rir, distraído, escorregou e caiu no rio, gritando por socorro, aflito. O pescador prontamente se atirou à água e devolveu o velho sábio à margem do rio, são e salvo. Enquanto o via recompor-se, o pescador disse-lhe: “Pois é… sabes muito… mas não sabes nadar!” Quando muito se pensa que se sabe, depressa se demonstra que afinal as suas vozes não sobem suficientemente alto!

 2. Os últimos tempos do Governo Socialista de António Costa têm dado muito que falar e, porventura, terei oportunidade de escrever sobre isso. Nada que surpreenda, porque foi dado o alerta em devido tempo. Porém, a celeridade com que se atingiu o atual nível de displicência e puerilidade, não nos pode deixar indiferentes. Ainda assim, não deixa de ser curioso haver quem se indigne com o escrutínio de quem é nomeado para servir a causa pública; quem ache que os camaradas escolhidos por António Costa têm o direito de passar entre os pingos da chuva de uma indagação! Quem são? Normalmente, aqueles que se acham mandatados e no direito de escrutinar tudo e todos… os tais dos telhados de vidro, que todos conhecemos!

E neste sentido, nos trâmites da indignação, o Partido Socialista atingiu mais um patamar (não me atrevo a denominar de “expoente máximo”, porque no que toca a eventuais irregularidades, é um partido que se supera todas as semanas) no passado fim-de-semana: no decurso do XX Congresso da Federação Distrital do PS de Viana do Castelo, Ana Catarina Mendes e os seus camaradas socialistas aclamaram (!) Miguel Alves, ex-Presidente da Câmara de Caminha e ex-Secretário de Estado Adjunto. Sim, o mesmo Miguel Alves acusado pelo Ministério Público de prevaricação enquanto Presidente da Câmara de Caminha! Disse Ana Catarina Mendes, Ministra dos Assuntos Parlamentares, que estava grata por todo o trabalho que Miguel Alves fez naquela Federação ao longo dos anos. É assim que funciona no Partido Socialista: um camarada é acusado de prevaricação enquanto no exercício de funções públicas e os seus pares aclamam-no. Efetivamente, deve ter feito bem o seu trabalho! Inveteradamente nos recordamos de António Costa a visitar Sócrates na prisão… 

Mas não ficou por aqui! Ana Catarina Mendes termina a sua intervenção com a cereja no topo do bolo: ao novo líder da distrital socialista, Vítor Paulo Pereira, que é também presidente da Câmara de Paredes de Coura, a socialista augurou, "para breve", um "enorme futuro nacional". Sem pudor e sem rodeios… Quem precisa de curriculum quando o “enorme futuro nacional” está garantido? Ser socialista traz garantias de bem-estar e estabilidade, sim, mas não é ao País.

3. Permitam-me uma nota final, em forma de recomendação ou lembrança, sem qualquer intuito moralista, às redações dos meios de comunicação social de Vila Nova de Famalicão, nomeadamente escritos: no estrito cumprimento do código deontológico e do estatuto do jornalista, mormente no que se refere aos deveres fundamentais dos jornalistas, exige-se o esforço (nem sempre possível, compreendo) de “procurar a diversificação das suas fontes de informação e ouvir as partes com interesses atendíveis nos casos de que se ocupem”. Basicamente, ouvir “ambos os lados”. Se o fizerem, em nome da transparência e da informação, antes de qualquer publicação, os famalicenses sairão a ganhar.

 

Manuel João Fernandes de Nascimento

Deputado Municipal pelo CDS-PP,

Vila Nova de Famalicão, 09 de janeiro de 2023.

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