Sempre Frei Tomás...
Temos sido habituados, nos tempos que correm e pelos exemplos mais recentes, a um descrédito da classe política aos olhos da sociedade. Esta posição de mácula reflete-se de forma notória, por exemplo, nos períodos eleitorais, tendo a abstenção atingido níveis históricos nos últimos anos. Fica claro que há uma amostra significativa da população que, chegada a hora de escolher os seus representantes para os Órgãos da democracia, simplesmente não acreditam nos políticos.
Nos princípios do séc. XVI, Maquiavel dirigiu a sua obra "O Príncipe" à família Médici, de Florença, então governantes, procurando ali verter o seu alegado conhecimento sobre a natureza e eficácia do envolvimento político e estratégias demanutenção do poder. Naquela, Maquiavel reflete a sua visão sobre a postura de quem governa, alegando que estes devem estar dispostos a tomar medidas e ações moralmente questionáveis, se necessário, para manter o poder e a estabilidade do Estado. E se, pelo contexto em que foram escritas, as suas ideias nao se enquadram facilmente no moderno panorama histórico ou político, olhamos para o atual Governo do Partido Socialista e vemos que os seus membros não só leram a obra repetidamente como também a interpretam à letra e sem desvios de trajeto. E dúvidas não restam sobre a conduta maquiavélica destes.
É, portanto, compreensível que a sociedade, considerando os atuais padrões comportamentais, se não reveja naqueles que deve escolher como seus representantes políticos.
Nesta senda, têm-se deparado os Famalicenses, nos últimos tempos, com um chorrilho de alegadas moralidades por parte de quem sempre defendeu e representou aqueles que as não praticam, protestando por sucessivos atropelos e por uma falta de respeito da maioria pela democracia. O julgamento será, como tem sido, público. Não posso, no entanto, deixar de tecer algumas considerações, para que os Famalicenses, nomeadamente aqueles que possam parecer mais abstraídos, possam procurar o devido esclarecimento.
Desde logo, se há quem sabe, e não é pouco, sobre atropelos democráticos, não é esta maioria, mas sim, maioritariamente, aqueles que hoje sobre eles se manifestam! E as provas, como se necessárias fossem, estão à vista de todos. Um ex-Presidente da Câmara Municipal, agora (ainda) mandatário (e portanto, representante) da candidatura do Partido Socialista ao Órgão, sai a público para criticar a política ambiental da Câmara, quando ele próprio, enquanto edil, ordenou a plantação de espécies arbóreas cujas raízes entram pelas casas das pessoas, danificando estruturas e abalando as condições de conforto de tantas famílias. Tudo quanto agora merece intervenção da atual Câmara Municipal; tudo quanto agora, certamente, não se recordará, como se não recordará de outras coisas que muitos Famalicenses não esquecerão.
Mas não é só! Os Vereadores do Partido Socialista na Câmara de Famalicão resolveram apresentar uma proposta em reunião do Órgão, requerendo a atribuição de assessor a tempo inteiro para o auxílio no desempenho das suas funções. Fizeram-no ao abrigo da lei e no âmbito de um direito que os assiste. Também ao abrigo da lei, porém, foi a proposta rejeitada por maioria. No entanto, no apanágio de uma defesa ou vitimização socialista que alguns sempre apregoaram, saíram vozes a público demonstrando a sua indignação, uma vez que noutros municípios, apregoam, “os grupos municipais da oposição têm o apoio de assessores recrutados de entre o pessoal do município ou por avença”. Pasme-se: pese embora o Partido Socialista de Famalicão tente constantemente a crítica fácil, invocando o excesso de avençados no Município, são os seus próprios seguidores a propor até mais avenças de pessoal para assessorar os seus! Em suma, os avençados são maus para o Município, a não ser que sejam para servir o Partido Socialista (muito explica isto o estado de ação do Governo Socialista, como se nota).
E ficamos por aqui no que toca a atropelos democráticos? Não. Os exemplos são tantos… Presidentes da Junta eleitos pelo Partido Socialista no concelho dirigem-se a colegas homólogas fazendo uso de expressões sob laivos de machismo e discriminação sexual, suportado pelos líderes do seu Partido, que naquilo veem uma “oposição máscula”, nas suas próprias palavras, e os outros como “virgens ofendidas”. Também muito diz sobre o papel do Partido Socialista naquilo que é a desigualdade de género; ou ainda a posição do grupo municipal do Partido Socialista na Assembleia Municipal, que de forma inusitada e desordeira, ao estilo Kruschev nas Nações Unidas, impede o uso da palavra por parte de um Presidente de Junta, enquanto simultaneamente apregoa por liberdade de expressão e de discurso fora de portas…
Para os que gostam de estudos, recomenda-se a leitura de um saído há não muito tempo enunciando o Município de Famalicão como um dos mais transparentes do país. Tudo ao contrário de outros tempos, quando o fio condutor era outro; tudo contra quanto muitos lutam, porque se lhes sabem os benefícios. Sempre Frei Tomás…
Atrevo-me a dizer que até Maquiavel se espantaria se os conhecesse.
Manuel João Fernandes de Nascimento
Deputado Municipal pelo CDS-PP,
Vila Nova de Famalicão, 17 de julho de 2023.
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