O balanço e a "silly season"

Chegada mais uma época alta de Verão, revela-se-nos o ensejo de, como em todas as épocas de alguma libertação de stress e alívio da estonteante azáfama quotidiana a que nos sujeitamos durante o ano, proceder a uma retrospetiva da primeira metade do ano.

E se nesta altura, em anos transatos, tantos agregados familiares se preparam para fazer as malas e viajar, tirar uns dias de férias junto ao mar, dentro ou fora de portas, percebe-se este ano a tendência de abrandamento deste fenómeno, o que pode ser preocupante. As famílias que se viram atingidas, nos tempos mais recentes, por uma inflação galopante, por um aumento dos preços, sobretudo de bens alimentares e essenciais, em alguns casos até pela sua escassez, e, sobre tudo isto, pela maior carga fiscal imposta por um Governo na História de Portugal, não têm, como seria natural, condições para usufruir destes dias como gostariam. Aliás, atrevo-me até a dizer que muitas famílias apenas se aperceberam da enorme carga fiscal quando, sentindo-a na pele, foram surpreendidos pela nota de liquidação do IRS. E enquanto as famílias passam por isto, o Primeiro-Ministro de Portugal desloca-se no luxo das suas regalias por esse mundo fora, para assistir a jogos de futebol; fá-lo à custa do sacrifício dos portugueses; terminando Conselhos de Estado de forma antecipada; sentando-se ao lado de seus homólogos que critica ferozmente (ou não?) e adiando qualquer eventual preocupação sobre o Estado da Nação. Um show-off que os portugueses vão pagando com a maior carga fiscal de sempre!

É até de realçar o facto de nem o próprio Partido Socialista tentar desmentir esta condição fiscal; e logo eles que, usualmente de forma demagógica, defendem os seus, com ou sem razão, com ou sem verdade. E para isso, mais não fosse, bastaria apreciar as votações sobre as conclusões da Comissão Parlamentar de Inquérito sobre a TAP, ou o sentido de voto dos Deputados do Partido Socialista na Assembleia da República, entre os quais até um ainda candidato à Câmara Municipal de VN Famalicão, sempre que se trata de permitir a audição, naquela Casa, de responsáveis políticos socialistas. Elucidativo.

E por isso, juntando-se a tudo isto e a tanto mais a incerteza dos tempos vindouros, sabendo quem gere (ainda) os destinos dos portugueses, facilmente se percebe que as perspetivas não são as melhores e se auguram muitas dificuldades. Entretanto, à semelhança do quarteto de cordas do Titanic que tocava enquanto o barco desaparecia na imensidão do Atlântico, para não deixar a malta desanimar, a orquestra socialista vai tocando (de ouvido) enquanto o país afunda, até que tudo se esmoreça, tudo naufrague e ninguém seja culpado… uma banda de música!

Ao mesmo tempo, malgrado o lamaçal em que o país se encontra, em VN Famalicão mostra-se serviço. No primeiro semestre do ano de 2023, a Câmara Municipal e a Assembleia Municipal debruçaram-se sobre diplomas de enorme importância e vitalidade para o concelho e para os Famalicenses. Disso são exemplo o programa municipal de apoio ao acesso à habitação, o programa municipal de apoio ao arrendamento “Viver Famalicão”, o serviço público de transporte rodoviário regular (o maior investimento de sempre em transporte rodoviário no concelho), o serviço de transporte de pessoas com deficiência para o próximo ano letivo, o aumento dos circuitos de recolha de resíduos sólidos urbanos, entre tantos outros assuntos de extrema importância; tantos que não mereceram, tão pouco, voto favorável dos partidos da oposição. Tudo isto apenas no primeiro semestre do ano. Sem esquecer também e ainda que o Município foi agraciado com o prémio de Região Europeia Empreendedora 2024, atribuído pelo Comité das Regiões Europeu, voz das regiões e dos municípios na União Europeia. Não terá sido por acaso.

E porque o modus operandi é o da distração e de desviar atenções, ao jeito de António Costa quando vai ao futebol, o Partido Socialista de VN Famalicão pretende, no decurso de tudo isto, fazer enaltecer uma proposta apresentada no sentido de permitir “uma hora de estacionamento gratuito no centro de VN Famalicão” (como as coisas mudam… o tal PS que “não tinha nada que apresentar propostas” – palavras do seu líder na Assembleia Municipal – agora, afinal, já o faz! Uma barafunda… ).

Ora, os Famalicenses que têm memória, e hão-de ser alguns que a tenham imparcial, mais do que seletiva!, lembrar-se-ão bem de um passado que não está assim tão distante e que se regia pelas vontades do Partido Socialista. E por isso, lembrando-se bem de quais as vontades socialistas nesses tempos tão pouco saudosos, nomeadamente nesta questão do estacionamento, mas também de outras, os Famalicenses são confrontados com uma tremenda falta de estratégia e de coerência do PS de VN Famalicão. Este dizer que sim e que não consoante o momento e o interesse político, tantas vezes dizendo “sim” e “não” na mesma matéria, tem sido constante. Esta é só mais uma vez entre tantas outras neste mandato; é uma “silly season” ideológica e comportamental constante. Terei oportunidade de abordar o assunto em tempo e sede própria. Até lá, continuemos atentos e empenhados em continuar a fazer de Famalicão um bom sítio para viver. A todos, umas boas férias (se for o caso) e um excelente mês de agosto!

Manuel João Fernandes de Nascimento

Deputado Municipal pelo CDS-PP na Assembleia Municipal de VN Famalicão


31 de Julho de 2023.

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