Por questão de respeito, memória e decência.
Nos dias que correm, vêmo-nos rodeados de hostilidades que parecem escalar a cada dia que passa. De pouco em pouco tempo, lá somos notificados de mais um conflito, seja onde for, que põe em causa os valores da democracia, da liberdade, da soberania...e, tantas vezes, da dignidade humana.
Mesmo sabendo que estes conflitos não são novidade ou não presumindo a sua escassez - e basta, para isso, conhecer superficialmente a História do séc. XX! -, o próprio incremento na facilidade de transmissão da informação (verdadeira ou falsa) a que temos assistido nas últimas décadas, por meio da internet e redes sociais, por exemplo, deixa-nos mais sensibilizados e compadecidos com o sofrimento de povos assolados pela guerra, ainda que geograficamente longínquos. Sentimos por eles; rezamos por eles; queremos estar informados e atualizados ao minuto; cremos e temos fé de que, com brevidade, alcançarão a paz.
E, para citar dois dos mais recentes exemplos, entre tantos, basta que refiramos os conflitos na Ucrânia e em Israel/Palestina. Talvez nos sintamos mais familiarizados com estes pela maior atenção dos mass media. E mesmo assim, fartamo-nos de ouvir asneiras num e noutro caso, tantas vezes de putativos especialistas (alguns até pagos com o nosso dinheiro). Mas aquilo que desejamos, aqui ao longe, independentemente de estarmos mais ou menos informados ou de sentirmos a razão de um lado ou de outro, é que rapidamente aquelas regiões possam encontrar a paz. Iríamos celebrar o dia em que aqueles povos podiam passar a viver em paz, em harmonia, sem opressão, sem violência. Basicamente, em democracia.
E se assim somos com e pelos outros, porque não somos tão exigentes connosco? Porque não mantemos os padrões comportamentais?
Portugal viveu sob a égide de uma ditadura, o Estado Novo, durante anos a fio, culminando com a Revolução dos Cravos, a 25 de Abril de 1974. Celebramo-lo! Era o ponto de viragem. Ou pelo menos, assim se esperava.
É que naquele processo pós-revolução, o clima de terror instaurado pela extrema-esquerda levou a que, mais uma vez em tão pouco tempo, os Portugueses tivessem que lutar por algo que era seu por Direito: a sua liberdade, as suas vidas. Eram as nacionalizações, era a reforma agrária, eram as ocupações e perseguições, eram as prisões... era tanto mais! Era o princípio de nova ditadura!
Da Direita à Esquerda, porém, numa tremenda congregação de esforços, de união e de convicção, a população respondeu àquelas pretensões extremistas dos radicais de esquerda. Por muito quente que fosse aquele Verão, a determinação dos portugueses seria sempre maior! Como foi! E assim, finalmente, em Novembro de 1975, cumpriu-se Abril! O Abril da liberdade.
Ainda que achem a data "fraturante e que divide a sociedade" (como acha determinado ministro), a sua relevância é indiscutível. Se queremos honrar Abril e as suas conquistas, devemos celebrar Novembro, as suas concretizações e garantias!
Se nos sentiremos radiantes quando for alcançada a paz e a garantia dos direitos dos povos na Ucrânia/Rússia ou em Israel/Palestina, porque há renitência em celebrar a data em que isso aconteceu em Portugal?
E por isso, louvando a medida de Carlos Moedas em Lisboa, que anunciou a celebração daquela data com o devido realce, proponho que também o Município de VN Famalicão possa inserir nas solenidades dos 50 anos do 25 de Abril de 1974, que tão cuidadosa e meritoriamente organiza, a lembrança e comemoração da data 25 de Novembro de 1975, pela sua inegável relevância.
Não é uma questão de Direita ou Esquerda; não é uma questão ideológica ou de fundamentalismo; é uma questão de respeito, de memória e de decência pela concretização de um difícil momento de viragem em Portugal e de todos quantos lutaram para, por nós, o conseguir! Celebrar o 25 de Novembro é celebrar a democracia. Fá-lo-á quem a respeita, eximir-se-á quem a renega.
Manuel João Fernandes de Nascimento
Deputado Municipal pelo CDS-PP na Assembleia Municipal de VN Famalicão.
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