Ainda há quem acredite neles?
“ … Ordinariamente todos os ministros são inteligentes, escrevem bem, discursam com cortesia e pura dicção, vão a faustosas inaugurações e são excelentes convivas. Porém, são nulos a resolver crises. Não têm austeridade, nem concepção, nem instinto político, nem experiência que faz o Estadista. É assim que há muito tempo em Portugal são regidos os destinos políticos. Política de acaso, política de compadrio, política de expediente. País governado ao acaso, governado por vaidades e por interesses, por especulação e corrupção, por privilégio e influência de camarilha, será possível conservar a sua independência?”
Este excerto foi escrito por Eça de Queiroz, corria o ano de 1867, no jornal “O Distrito de Évora”.
Passaram 156 anos.
Uma das figuras maiores do pensamento e da literatura portuguesa, Eça de Queiroz, acutilante como sempre na descrição do comportamento da sociedade, relatava assim o corpo governativo de então. Nulos; com compadrios; de vaidades e interesses, especulação e corrupção, por privilégio e influência de camarilha. Repito-o, não por acaso.
Por manifesto desejo da Fundação Eça de Queiroz, liderada por Afonso Reis Cabral, trineto do escritor, foi proposta a trasladação dos restos mortais de Eça para o Panteão Nacional, por forma a que repouse eternamente naquele espaço, junto de outros a quem chamam as maiores referências de Portugal. Eça de Queiroz é-o, certamente!
E para isso, impulsionada pelo Partido Socialista, foi levada uma proposta à Assembleia da República para que este Órgão reconhecesse honras de Panteão Nacional a Eça de Queiroz, resolução que foi aprovada por unanimidade a 15 de janeiro de 2021. Com isto, para o efeito, foi criado um grupo de trabalho com o intuito de levar a cabo as diligências necessárias para o acto.
Curioso, consultei a proposta apresentada pelo Grupo Parlamentar do Partido Socialista, procurando entender as razões que estes invocaram, ao tempo, como merecedoras de atribuição de honras de Panteão Nacional a Eça de Queiroz.
E não pode deixar de causar espanto que, entre tantos méritos de Eça de Queiroz, conhecidos e reconhecidos, até pela simples leitura das suas obras, o Partido Socialista, dirigindo-se a Afonso Reis Cabral e ao Conselho de Administração da Fundação Eça de Queiroz, tenha invocado um especial: “Pela actualidade…”, destacando excertos das suas obras.
A mais, referiu ainda o Partido Socialista, que “todos reconhecemos em Eça o brilho de um espírito livre, culto, humanista arguto que, com uma escrita de palavras límpidas, de conteúdo fino e de superior ironia, mostrou as contradições da vida em sociedade e fez luz sobre a tensão entre os mundos da paixão e os mundos da razão. Mostrou-nos ao espelho, enquanto seres humanos.”
Não podia estar mais de acordo.
Quem assumiu a posição do Partido Socialista na Assembleia da República, ao tempo, foi um Deputado de nome José Luís Carneiro, hoje Ministro (ou ex-Ministro? A confusão já é tanta…) e candidato a líder do Partido Socialista e, por isso, a Primeiro-Ministro.
O Sr. Ministro (ou ex), ao tempo, fez referência à atualidade das palavras de Eça, a todas, acrescentando “mostrou-nos ao espelho”. E hoje nenhum português duvida disso.
Ao contrário do que diz António Costa, a verdade vem sempre ao de cima.
O que eu lamento é que este Governo do Partido Socialista tenha demorado tanto tempo a analisar aquilo que o espelho lhes mostrava. Entendo, aliás, que ainda o não viram!
Entre António Costa, Sócrates, João Galamba, Vítor Escária, Lacerda Machado, dinheiro escondido, escutas inacreditáveis, tráficos de influência, a TAP, a EFACEC, Mário Centeno, Pedro Nuno Santos… e tantos outros e outras coisas… Nenhum se conseguiu ver ao espelho…porque, presuntivamente, estavam ocupados a olhar para outros lados e preocupados em acautelar outros interesses: os deles próprios!
Os leitores que têm a oportunidade de acompanhar as Reuniões de Câmara e as Assembleias Municipais em VN Famalicão saberão quantas vezes o Partido Socialista local elogia e aclama António Costa e a sua equipa. Está nas mãos deles próprios, e de mais ninguém, esclarecer a sua posição perante mais um escândalo proporcionado pelos seus, em prejuízo dos portugueses. É que não se pode ser Deputado da Nação só para a fotografia. É-se nos bons e nos maus momentos! E pelos exemplos que os Famalicenses têm tido, e ainda pela amostra de António Costa, o tal Primeiro-Ministro que “não tem amigos” (que o digam Seguro, Sócrates, Escária, Lacerda Machado)… seguindo-lhe a escola…sabemos bem o que esperar!
Neste entretanto, o Partido Socialista, que habitualmente faz pouco e devagar, já convocou a sua Comissão Política Nacional, já agilizou eleições internas, já antecipou o Congresso e já tem candidatos a líder. Mas aqui pelo concelho, o silêncio, outrora tão desprestigiado, reina de forma ensurdecedora! É como se nada se tivesse passado. Mais depressa se faz notícia de um magusto ou de outras putativas notícias, com ou sem fundamento, do que de um escândalo nacional que atinge todos os portugueses. Também por aí se percebem prioridades e agendas.
É a terceira maioria do Partido Socialista que acaba num pântano e/ou com gente na prisão.
Ainda há quem acredite neles?
Manuel João Fernandes de Nascimento
Deputado Municipal pelo CDS-PP,
Vila Nova de Famalicão, 13 de novembro de 2023.
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