Fazer as escolhas certas
Os últimos dias têm sido marcados pela atualidade política. Após um ciclo de socialismo (outro), Portugal encontra-se, mais uma vez, mergulhado numa crise. E avisos não faltaram! Uma crise política, é certo; mas não é o pior. Os Portugueses deparam-se com uma crise de valores, de princípios, de ética… que todos os dias nos são presenteados pelos meios de comunicação social, a um ritmo incessante, sem que os media tenham, sequer, a necessidade de recorrer a repetições, tantos e tão constantes que são os casos inéditos.
E quando se pensava que com a queda do Governo de maioria do Partido Socialista, este comportamento abrandaria, temos ainda que nos sujeitar a ver, ouvir e ler os candidatos à liderança do Partido Socialista a tentar justificar o injustificável, nas TV’s, rádios e jornais, como se nada tivessem tido a ver com isto.
Dois ex-Ministros com inegável responsabilidade na lamentável situação em que deixaram o país, mais uma vez. E não se iludam os leitores: esta propaganda continuará, inclusivamente em VN Famalicão, onde, declarado o apoio sem remorsos e sem vergonha, tentarão passar o pano do esquecimento sobre a atuação de ambos, fazendo uso do esquecimento como figura fulcral de branqueamento político. Quererão que ninguém se lembre que são estes os responsáveis pela injeção de milhões de euros dos contribuintes na TAP, os desordeiros do aeroporto, os desastrosos gestores da ferrovia, entre tanta outra gestão danosa! Lobos com pele de cordeiro, que têm até a coragem de dizer que “o povo tem memória”. Ai deles, se o povo a tiver mesmo!
Naturalmente, os sinais demonstrados pela sociedade são de descontentamento, de descrédito, de desânimo. Como podiam não ser? Ao fim de (mais) 8 anos de socialismo, as pessoas não podem recorrer à saúde porque o SNS está em colapso; a educação está pelas ruas da amargura; a segurança e proteção das pessoas é precária; há mais gente a recorrer a bancos alimentares para conseguirem providenciar uma refeição para os seus filhos; o acesso à habitação é um flagelo… Tudo acrescido de um descrédito das instituições e uma degradação total dos serviços públicos. Tudo desprestigiado em nome de alegadas promiscuidades, nepotismos, favores, interesses pessoais. Tudo proporcionado, citando Gunther Grass, por uma “horda…” que se serve do trabalho de quem tanto precisa para viver.
Por isso, o que mais precisam os Portugueses, no momento, é de esperança e alento. É possível dar a volta a isto e basta, para isso, fazer as escolhas certas! Optar pela certeza de escolher quadros competentes; gente desinteressada que ofereça o seu saber e as suas capacidades com o intuito de nos fazer escalar o precipício em que hoje nos encontramos, de nos livrar deste miserável legado socialista. É necessário que escolhamos como nossos representantes gente com vestígios de compasso moral, ético e comportamental; gente séria! É imperial que estes, cognitivamente capazes, substituam aqueles que hoje, sem formação, recheados de interesses pessoais, apadrinhados por quem quer que seja, ocupam muitos daqueles lugares de representação e que, desde pequeninos, são preparados ab initio para uma colocação estratégica com a pretensão de perpetuarem uma máquina de subsistência, própria e dos amigos. Os mesmos que hoje, pelo seu comportamento, promovem extremismos, à esquerda e à direita; que os alimentam e lhes criam as condições para que prosperem.
E como exemplo recorro, uma vez mais, ao Partido Socialista: estes, que passam o dia a dizer com quem é que os partidos à sua direita podem ou não coligar-se, numa pretensão de se assumirem como a bússola de uma moralidade que não têm, foram os únicos, nos últimos 40 anos da história da democracia em Portugal, que se coligaram com partidos extremistas, reconhecidamente marxistas, leninistas, trotskistas. Mas aí já não veem mal nenhum! Para quem vale tudo, a decência é secundária.
Caiu-se assim, nos últimos anos, num abismo isolacionista em que se dá a sensação que só se pode governar com maioria absoluta, e por isso os tempos mudaram. Um precedente aberto em 2015, que levou a que se perdessem valores, e com isso também capacidade de diálogo, ponderação para consensos, compromisso na gestão da res publica. Envergou-se por um debate político tão extremado em que “ou é tudo ou é nada”, o que ajuda também a perceber a degradação dos serviços públicos em prol de ambições partidárias e colocação de boys.
Neste particular, o CDS poderá não ganhar as eleições para salvar o país, mas será, certamente, o elemento decisivo para fazer com que outros não o continuem a destruir. E a crença e união demonstrada pelos seus militantes no passado fim de semana, com uma magnífica adesão em Braga e VN Famalicão, são um bom augúrio do que estará para vir!
Manuel João Fernandes de Nascimento
Deputado Municipal pelo CDS-PP,
Vila Nova de Famalicão, 27 de novembro de 2023.
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