Eleições Legislativas: a procissão... Vai no adro!

 As eleições legislativas do passado dia 10 deixaram o país em polvorosa. Se, por um lado, há uma clara e inequívoca curva à direita, no que ao espectro político diz respeito, por outro assumo que vejo com surpresa o resultado do Partido Socialista que, após 8 anos de Governo e de ter arrastado o País para uma das suas fases mais obscuras, consegue quase empatar (ou, quem sabe, até ganhar!) as eleições. Tudo depois da degradação completa do SNS, de que se arrogam fundadores, do desprestígio pelos Professores e pela Educação, da desconsideração pelas Forças de Segurança, da deterioração dos serviços públicos, sem excepção… Tudo, pese embora o arrecadar de milhões de euros, resultante da aplicação da maior carga fiscal sobre o povo português, entre tanto mais que poderíamos enunciar. É caso para não olvidar a velha máxima de “quanto mais me bates, mais eu gosto de ti!”

Ainda assim, sem prejuízo daquilo que foi, em modesto entendimento, um resultado que nem o próprio PS esperava (daí a dificuldade em explicar, agora, o que pretendem fazer!), a Aliança Democrática, sem confusões no seu ADN, venceu (aparentemente) e reúne as condições para formar Governo. Finalmente, diria, acabando com a hegemonia socialista que, passo a passo, encaminhava Portugal para a ruína, se é que os danos são ainda reparáveis.

E neste âmbito de gestão e/ou reparação de danos socialistas, a Direita tem já um longo historial. Tem sido assim ao longo dos últimos 50 anos de democracia em Portugal: a Esquerda governa por longos (e superiores) períodos de tempo, até que só se descortina uma saída para que o País volte a prosperar: virar à Direita. Com o longo e duradouro historial de três bancarrotas, todas bem recentes (não estamos propriamente a falar do Condado Portucalense!), a Esquerda deixou sempre o País num estado calamitoso: Precisámos da intervenção externa após os Governos de Mário Soares; Guterres deixou o país “no pântano” (palavras do próprio); Sócrates dispensa apresentações; António Costa demite-se com uma maioria absoluta, rodeado de alegados casos de corrupção que culminam com notas escondidas no seu gabinete. Desastroso! Inesquecível; veremos durante quanto tempo!

De tudo isto resultaram intervenções externas e situações de governação limitada - quer por procedimentos de défices excessivos, quer por memorandos de entendimento (assinados pelos próprios Governos Socialistas) -, após a miséria a que subjugaram todo um povo, mas, sobretudo, resultou muita lata: após todos estes factos e evidências, são estes mesmos governantes de esquerda (ou ex), alguns deles profissionais da política, que se acham os arautos da moral. A culpa continua a ser de Passos Coelho; do Covid; da guerra na Ucrânia; da inflação; do tempo; da meteorologia… até dos portugueses! Deles, desses arautos, é que não é, com certeza!

Aparentemente, a Aliança Democrática vê-se agora na possibilidade de governar sem limitações, pelo menos de fatores externos. E digo “aparentemente” porque com esta gente, com os que agora deixam o Governo, nunca se sabe. E palpita-me que esta questão das “contas certas” ainda dará muito que falar. Não esqueçamos, por exemplo, e é algo que se fala muito pouco ou nada, que António Costa acordou como meta com o PRR a reestruturação da função pública. E fê-lo já em gestão (não deixa de ser curioso, para quem não aplicou uma única reforma em oito anos de Governação). É necessário ter noção de que para Portugal receber os vários cheques do PRR, tem de cumprir as várias metas e marcos com que se comprometeu junto de Bruxelas e que já estão previamente definidas. É mais um caso de “batata quente” deixada nas mãos de um Governo de Direita (quem sabe se não terá sido também por isso que Pedro Nuno Santos se apressou a dizer que o “PS seria oposição”?). Mais uma vez, estou convicto, a Aliança Democrática saberá dar resposta.

Ainda assim, apesar do resultado eleitoral que, independentemente do vencedor final, consagrou uma larga maioria de Direita na Assembleia da República, não posso deixar de frisar o comportamento dos partidos, nomeadamente de Esquerda, perante a vontade do povo. Para estes, a democracia faz-se e exige-se quando vencem; porque quando não vencem por vontade popular, recorrem a jogos de bastidores, a insinuações e ao desrespeito pela pronúncia dos eleitores. Mariana Mortágua, Rui Tavares e Paulo Raimundo são o expoente máximo deste exemplo. Perante um resultado incontestável, afirmam que “não há tolerância ao projeto da Direita” ou “não abdicam de nada!”. Lembro, de repente e por exemplo, que também Lenine não abdicou de nada, em tempos que não estão assim tão distantes. Mas devo também relembrar, principalmente a estes que, no auge da sua boçalidade, se insurgem contra uma vontade expressa do povo, que aquilo que toleram e/ou abdicam ou não, serve apenas para os qualificar e desmascarar; nada mais. Tudo o resto é cantiga. Gostem ou não. E nós sabemos que não gostam!

Uma última palavra para o resultado eleitoral no concelho de Vila Nova de Famalicão. Se há dois anos, nas eleições legislativas, VN Famalicão era um concelho pintado de rosa, que resultou até na eleição de Eduardo Oliveira, candidato socialista à Câmara Municipal de VN Famalicão, para a Assembleia da República, foram precisos apenas dois anos para que os Famalicenses percebessem que se enganaram. Dois anos volvidos (e após já o terem feito de forma significativa nas eleições Autárquicas), os Famalicenses dizem agora que, afinal, Eduardo Oliveira não está à altura, e votaram no sentido contrário. Elucidativo.

Não deixa, finalmente, de ser curioso: falhada a sua reeleição, Eduardo Oliveira já não participou na Procissão dos Passos em Nine. Voltará no próximo ano, certamente. Cada um com a sua Via Sacra.


Manuel João Fernandes de Nascimento

Deputado na Assembleia Municipal de VN Famalicão pelo CDS-PP

18 de março 2024.


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